segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

A VIAGEM

Uma corrida, hora marcada, o igual percurso diário até chegar ao destino. O tempo, esse maldito! Todos os minutos estão contados como decisivos, podendo fazer perder mais tempo ainda. O caminho que leva diversos mundos para debaixo do solo, a fim de longas ou curtas viagens. Descendo as intermináveis e habituais escadas é possível ter um tempo para sentar, ou apenas a falta do mesmo que torna a exaltação da chegada pontual, um efémero despertar cardíaco. Movimento é algo presente, pode ser registado no interior do espaço que nos levará ao espaço a investigar. Calma e agitação, factores simultâneos, uma espécie de dança, um ritual talvez, repetição existe, mas como improviso diário. Observando olhares, encontra-se a saturação, o hábito e a novidade.
O transporte espera-nos,no seu interior podemos entrar no mundo da leitura para conseguir a abstracção completa do espaço que a envolve, entra porém na história contada pelo bloco de folhas que encontra nas mãos. Realiza as suas fantasias perante a obra que lê. Ou somos meros bonecos adormecidos que aproveitamos o pouco tempo de viagem para sonhar. E rever nos sonhos as nossas ansiedades, desejos e medos. Lutas contra dragões, ser um herói, uma princesa, ser algo sem ser o que somos na realidade. Fugir do mundo real e sonhar. Achando que a realidade do ter os olhos abertos e observar vai constar de um filme diário. Com a mesma duração, com experiências visuais anteriores, visto ser o mesmo local, em diferentes dias mas provavelmente à mesma hora. Parecendo o ser estar dentro de uma curta-metragem, em que o que modifica neste pequeno filme, são as caras de quem entra e sai do que o transporta. Acaba por ser visto como elemento desfigurando a realidade, porque a vida não se passa ali, mas sim no exterior, o movimento, as imagens que passam ou não, os meros segundos de luz que obtemos.

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